Ponta das canas ,2017

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Obra: Ponta das Canas, 2017

Artista: Amanda Melo

Técnica: Fotografia

Dimensões: 50 x 80 cm
 

Sobre a obra

O trabalho de Amanda Melo da Mota pesquisa nas relações com o tempo e o espaço, paisagens e corpos, as várias formas e meios de encontros com grupos que alimentam suas investigações e estabelecem dinâmicas capazes de integrarem práticas terapêuticas possíveis de se desdobrarem em visualidades e vivências poéticas. A artista também se preocupa em retornar e refletir criticamente sobre a relação humana com a natureza nos dias de hoje, trazendo possibilidades de visões em movimentos gerados por uma espécie de sintropia (como na agricultura sintrópica do Ernest Götsch), alternativa ao estado entrópico do mundo. Sua produção mais recente está vinculada a encontros com grupos que celebram solstícios e equinócios, realizados nos sítios arqueológicos e monumentos megalíticos da ilha de Florianópolis. Os encontros revelaram um solo poético para que fossem desenvolvidas obras cuja presença do corpo apresenta uma perplexidade diante do inexplicável. Investiga as pedras e as plantas da ilha a partir de grupos específicos como os pesquisadores de arquoeastronomia, rezadeiras e o grupo de mulheres do Coletivo Elza. Insere a experiência do corpo em inspeções reais, sonhadas e fabuladas criando imagens que dialogam com as novas práticas em tempos de confinamento, observando e sentindo o corpo que vibra a partir da ausência dos deslocamentos no contexto atual. Amanda percorreu as regiões da ilha nos períodos desses eventos para inserir-se na paisagem e nela fazer parte. Mapeia os tempos e por eles perfura o passado, devolvendo-o ao presente, nessa investigação que parte também de ações performáticas realizadas pela artista. Estar no entre, no corpopaisagem, no mergulho sobre essas temporalidades e por vivências solitárias ou coletivas dessas ações, nas fronteiras anacrônicas de um passado científico e mítico, propondo assim cosmografias atemporais. Trazer para a contemporaneidade as relações de um pensamento mítico, estreitamente alinhado com pensamentos filosóficos do agora, interessanos, sobretudo, na descoberta ou reinvenção, como um instrumento que permite acessar o desenvolvimento do processo de conhecimento de uma realidade via conservação de descobertas transmitidas por ancestralidades, de geração em geração, em narrativas que não devem deixar de existir. É pela vivência, escuta e palavras que Amanda condensa a experiência e desdobra em suas obras pelas mãos e olhos que vão repassando os saberes transgeracionais. Nas palavras da artista, suas obras cavoucam sobre: pedras que falam, corpo mulher que pode ser qualquer corpo, corpo mulher matriz que gera, faz crescer, se espalha. Também contém uma alquimia que reza por mudanças desse cultivo do mono, daquilo que não tolera o diverso, pois em si não tolera a vida como ela de fato é. Isso está aí no pensamento patriarcal histérico. Imagens que revelam estados possíveis de resposta a séculos de dominação. Reconciliação com a natureza, respeito a suas forças e aos seus elementos. As forças que geram e nos conectam com uma cosmogonia transgeracional, com leituras de linguagens simbólicas das diversas naturezas. A auscultação e a transmissão surgem, assim, como forças dotadas de uma espiritualidade, do universo feminino e resistente nas obras de Amanda, de uma força sensível que exclama e proclama respeito ao passado e a reconstrução, criação ação tão necessária de ser resgatada no contemporâneo, que se conserva pela arte para além do ciclo de vida e morte, capaz de por si própria reevocar conhecimentos e acontecimentos passados que se estabelecem nas ações do presente prefigurando o futuro em atravessamentos de tempos. Juliana Crispe Curadora

 

Sobre o artista

Amanda da Melo Mota, natural de São Lourenço da Mata-PE, é graduada no curso de Educação Artística da Universidade Federal de Pernambuco, vive e trabalha em São Paulo-SP.
Coleções Públicas
*MAM- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro- Rio de Janeiro.
com seis desenhos da série Sal é Mar
*Museu de Arte da Pampulha- Belo Horizonte- Minas Gerais.
com o trabalho “Album20102008”
*Centro Cultural Banco do Nordeste- Banco do Nordeste Cultural Center-  Fortaleza- Ceará.
fotografia sem título
video Isolante
seis desenhos da série Sal é Mar.
*Centro Cultural Dragão do Mar – Fortaleza- Ceará.
Cinco desenhos da série Sal é Mar.
Prêmios
2009 Prêmio do 47º Salão de artes de Pernambuco
2007 Prêmio do 29º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, Bolsa Pampulha
2007 Prêmio Projéteis- Funarte – Rio de Janeiro
2005 Semana de Artes Visuais do Recife SPA
2004 Prêmio Chamex de Arte Jovem - Instituto Tomie Ohtake – SP
2004 Prêmio Aquisição – VII Bienal do Recôncavo Baiano
2003 Salão Sobral 2003 Arte Contemporânea – Sobral - CE
2002 Prêmio aquisição - IV Salão do Sesc Amapá.
1997 XV Art Show Nappanee High School

 
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