+/- ,2021 - Desenho Rodrigo Braga

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Obra: +/- ,2021
Artista: Rodrigo Braga
Técnica: desenho ( carvão , pastel seco e sobre papel de algodão)
Dimensões: 76 x 56 cm
Observação: moldura em frejó com tinta dourado , vidro anti-reflexo e anti -UV

Sobre a obra

Entre os sucessivos golpes sentidos na vida pessoal e outros tantos nas instâncias políticas e sociais, sinto-me um tanto quanto pálido, esvanescente. Esse esquartejamento dos sentimentos é pessoal e é coletivo. Em um panorama de poucas clarezas e nenhuma certeza, muitos gritam, poucos escutam. Direita é direita, esquerda é esquerda, o preto é preto e o branco é branco. Ou talvez não nos pareça bem assim diante dos fatos que nos embaralham em palavras escritas hora com grifo em auto-contraste, hora apagadas em seus contornos, turvando o “quem é quem”. Ideologias se perdem por cansaço e caducam, enquanto novos-velhos tons vão à superfície. No campo de radicais opostos, a intolerância é combustível. Queimamos a diversidade das cores das peles e assumimos disfarces mais opacos, logo camuflamo-nos ao pano de fundo da cegueira. Aniquilamos as variações cromáticas e voltamos a insistir numa paleta arcaica de cal, como as paredes das fortalezas do passado - cada qual em sua casamata. Engessamos os sentidos e as inteligências, voltamos a carregar ou a sermos pedra. Pés plantados na terra que ceca, mãos que estapeiam, rasgam, marcam.

Observemos nossas origens mais bárbaras, pois assim assumimos logo nossos arquétipos animais. Em tempos de lutas por espaço, o desejo de aniquilar para sobreviver acaba por recair até aos mais bondosos mortais, pela defesa de um lugar de fala reivindicado no gogó ou a pulso. Todos nós bombeamos sangue quente, assim como os cães mais bravos; mas só nós usamos o indicador, para apontar ou para enlaçar coleiras. Não somos mais modernos, reconhecemos agora os porões dos navios negreiros, ou o interior das carvoarias, como quem não se importa em carbonizar sua história.

Com tanto barulho ficamos surdos. (Na surdez encontramos o silêncio?) Com tudo o que ofusca ficamos cegos (Onde está a nitidez?). Com tantos gritos a fala perde a razão. (Calar-se produz outros sentidos?) Talvez nos reste meditar com as pedras, observar a beleza de uma gipsita bruta antes que a transformem em gesso.
Rodrigo Braga 
setembro de 2018


 

Sobre o artista

Rodrigo Braga nasceu em Manaus, 1976, logo mudou-se para Recife, onde graduou-se em Artes Plásticas pela UFPE (2002). Atualmente vive entre Rio de Janeiro e Paris. Trabalhando com ações performáticas ou construções manuais diretamente em paisagens naturais ou mesmo encontrando seu interesse em torno da natureza em espaços urbanos, seu corpo intervém em seu entorno ou algumas vezes também é parte das imagens. Relações existenciais e conflitivas entre o homem em seu meio são assuntos de sua produção.

Expondo desde 1999, em 2012 participou da 30ª Bienal Internacional de São Paulo; um ano depois exibe a obra Tônus no Cinema do MoMA PS1 em Nova York, em 2016 realizou individual no Palais de Tokyo, Paris. Recebeu alguns dos maiores prêmios para arte contemporânea do Brasil, a exemplo do Prêmio PIPA 2012 e do Prêmio MASP Talento Emergente 2013. Em 2018 realiza a exposição Olhos cheios de terra. Possui obras em acervos particulares e institucionais no Brasil e no exterior, como MAM-SP, MAM-RJ e Maison Européene de La Photographie - Paris.

 
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