Ofélia,2018 I Alice Vinagre

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Obra: Ofélia 2018
Artista: Alice Vinagre
Técnica:
 Acrílica sobre tela
Dimensões:  79 x 190 cm 

Sobre o artista
Nascido em João Pessoa, a artista Alice Vinagre, é pintora e desenhista. Concluiu o curso de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1984. Nos anos 1980 participa de varios salões e mostras coletivas no Brasil e no exterior. Recebe o prêmio aquisição no 9º salão nacional de artes plasticas - FUNARTE, no Rio de Janeiro, em 1986 recebe uma bolsa de estudo para Alemanha, no workshop itinerante Brasil-Alemanha.  


Longe de qualquer contemplação passiva, protocolar, burguesa do olhar, a pintura de Alice Vinagre vive de seu próprio interrogante, como linguagem e como análise do real. Duas inquietações paralelas, convergentes – tão ascéticas quanto sensuais – que exigem uma ativação perceptiva, outro estado visual para quem se aproxime. Há uma operação a ser feita, cada vez mais até do que antes, pois agora as suas imagens vivem ainda uma complexidade maior, dinamizando as dimensões anteriores – e até reformulando imageticamente seu histórico – , talvez mais consciente que nunca do que significa pintar no século XXI, ou seja, vislumbrar situações de um imaginário que se escapa da planaridade exposta, mas que está aí, latejante, visível, invisível, além do chassis. E nossa parte está aí, nesse diapasão, limiar, na dança/contradança à vista de figuração/cores/campos/signos/estratégias. E também em certo jogo de distâncias, o longe, o perto, o abissal, o próximo, que esta obra sabe desenhar ao nosso encontro. A sua razão artística está nisso: nessa construção, que pede depois sua reconstrução, um exercício a mais. Há, portanto, uma encarnação – se fazer carne –, no sentido de como a artista dispõe todos seus elementos a se comportar, como fenomenologia estética na própria pele/corpo/superfície/âmbito da pintura. Há uma necessidade evidente de construir/reconstruir a imagem, seu devir, nunca estacionado. Ao contrário da incorporação, que só pede unidade, corpo unívoco, reprodução, mimese, como toda iconocrácia demanda. No entremundo das entreimagens, a metade de caminho entre o sonho e as coisas, a pintura de Alice Vinagre compartilha um lado onírico e outro telúrico, e mexe sempre com os elementos, aqueles outros que a astrofísica diz vir das estrelas, e que aqui se redimensionam de forma diferente em suas telas: água, fogo, ar, terra. A presença deles gravita indistintamente em sua obra de décadas, dispersa ou concentradamente, outorgando uma reciprocidade e uma religação de ordem cosmológica, de antropo-cosmos. Aliás, parte de seu mistério sempre residiu no magma em que suas figuras mergulham, habitam (algo que acontece em certa pintura neoexpressionista alemã, caso de A. R. Penck) e na leveza quase pop concomitante e paradoxal de sua configuração e presença. Porque não se pode esquecer que ainda somos “filhos do céu” segundo Edgar Morin – ou ciganos do universo, como apontava Jacques Monod.
Trechos do texto de  Adolfo Montejo 

 
 
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